Entrevista com o psicólogo Cláudio Galiotto

 



Você já se perguntou como o idoso lida com as questões internas? Na matéria de hoje você vai conseguir entender como os idosos lidam com as questões internas e externas.

   Entender a relação do idoso com a sociedade, nos ajuda a apurar dados que ainda devem ser efetivados por nossa sociedade.

    Com a participação especial do psicólogo Cláudio Galiotto, nós do grupo Envelhecer no século XXI montamos as seguintes perguntas, confira a entrevista:


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1-) Por que as pessoas têm tanto medo de envelhecer?

     As pessoas têm medo de envelhecer porque se deparam com a questão da morte, da finitude da vida. Essa temática não é falada com naturalidade e neste sentido se torna algo desconhecido e nós, seres humanos, temos medo daquilo que não conhecemos. A morte é um processo natural, tudo na natureza tem um ciclo, todas as coisas vivas morrem e nós também. É claro que existe uma dor muito grande quando se perde alguém querido e próximo, o luto é um processo que exige bastante, no entanto, como não aprendemos a expressar nossos sentimentos com naturalidade a morte fica como um tabu, mas quando a velhice chega precisamos enfrentar as perdas pessoais e a morte iminente. De acordo com Erick Erickson, psicanalista e teórico da Psicologia do Desenvolvimento, os adultos mais velhos precisam avaliar, resumir e aceitar sua vida para poderem aceitar a aproximação da morte.

2-) Os idosos entendem com facilidade os procedimentos da terapia, ou varia de pessoa para a pessoa?

    Varia de pessoa para pessoa, pois cada um de nós tem uma história de vida diferente, uma forma distinta de entender e perceber a si mesmo, os outros e o mundo.

3-) O que é mais importante nesta pandemia para que o idoso tenha uma boa saúde psicológica?

     Em primeiro lugar seguir todas as orientações e recomendações dos órgãos responsáveis pela gestão da saúde, pautadas em evidências científicas. Especificamente falando da saúde psicológica o importante é conversar, falar sobre os seus sentimentos, suas preocupações, suas angustias e anseios. Quando compartilhamos aquilo que estamos sentindo, o que nos aflige se torna mais leve e percebemos que não estamos sozinhos nessa experiência. Como estamos em distanciamento social, é uma ótima oportunidade para o idoso aprender a utilizar os recursos digitais. E caso precise de ajuda profissional não hesitar em procurar um (a) psicólogo (a). Um outro ponto importante também é ficar atento com as notícias, com as fontes das informações, se são confiáveis ou não, pois existe muita fake news gerando medo nas pessoas.

4-) Qual é a importância do jovem no bem-estar do idoso?

      Eu relaciono essa resposta com a da pergunta anterior. Acredito que o jovem pode auxiliar os idosos o na aquisição dos recursos digitais, ou seja, na inclusão digital deles, por exemplo, como fazer chamadas de vídeo pelos aplicativos, assim, eles podem estar em contato com as pessoas da família, amigos, etc. Ou também em como consultar as fontes das informações que estão circulando por aí. Todos nós estamos aprendendo nessa pandemia e todos nós também temos coisas para ensinar. E o mais importante de tudo, é estar disponível para ouvir, conversar e acolher o idoso na necessidade dele.

6-) Os idosos ainda estão presos em estereótipos de que não podem sair, se divertir... isso está mudando?

     Eu percebo que está havendo uma mudança em relação a esta atitude. Claro, que isso vai depender também da história de vida de cada um e da necessidade de cada pessoa. Atualmente, com o avanço da ciência e com o maior acesso à informação, existem programas de inclusão para o idoso que realizam orientação e acompanhamento. Toda essa inclusão e aproximação, que atualmente está sendo mais digital, vai aos poucos quebrando o estigma e a imagem social de um idoso doente e completamente incapaz de realizar suas atividades.

7-) Em relação às pessoas que você atende no consultório, qual seria a porcentagem da população idosa? Os idosos têm mais dificuldade em assumir certos problemas? A ida dos idosos ao psicólogo ainda é baixa?

       A porcentagem é baixa quando comparada aos pacientes adultos e crianças/adolescentes.

Talvez a dificuldade não seja em assumir os problemas, pois só pelo fato de procurarem ajuda psicológica já é um sinal que estão assumindo que precisam de tal ajuda. Acredito que uma dificuldade maior seria a de modificar algumas atitudes e pensamentos, pois com o passar do tempo, certas crenças, que são as formas pelas quais entendemos o mundo, vão se tornando cada vez mais enraizadas, rígidas e cristalizadas, mas sempre existe a possibilidade de mudança independentemente da idade. A ida é mais baixa, pois infelizmente muitas pessoas, não só os idosos, não entendem o trabalho do psicólogo (a) e os benefícios da psicoterapia, apesar de, na minha percepção, estar aumentando a procura e com o acesso maior à informação, nosso trabalho está sendo cada vez mais valorizado, motivo pelo qual fiquei muito feliz em poder participar dessa iniciativa.

Entrevista feita em 25/10/2020 – psicólogo Cláudio Galiotto, whatsapp: +55 12 98846-0506, Instagram: instagram.com/psicologoclaudiogaliotto

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