Entrevista com o sociólogo e Bacharel em Direito, Wagner Eduardo

 


1 -) A ancestralidade pode aproximar os jovens dos idosos?

Buscar conhecer a história de seus antepassados, principalmente por meio de seus ancestrais mais velho ainda vivos, sejam os avós ou bisavós, gera uma proximidade ainda maior da juventude com os mais sábios. Ao conhecer a história de sua família, de seus ancestrais, que também é a sua, você se conecta com aquela pessoa que contribuiu tanto e que também é fruto de tantas contribuições de trajetórias e linhagens, entende que sua construção já iniciou e que em um determinado momento é você que estará conversando com seu filho, e posteriormente seu neto, contando sua história, apresentando os valores, as lutas e conquistas de sua família. De certa forma, isso acaba gerando o sentimento de empatia, todo jovem que respeita a história de seus ancestrais e entende que também chegará na terceira idade, respeita os idosos. 


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2 -) Todas as pessoas podem se aposentar? Qual seria a realidade futura?

Na teoria sim, desde que dentro dos critérios legais, entendesse que todo brasileiro poderia se aposentar. Digo, poderia, porque na prática as novas regras impostas pela reforma da previdência e a situação de crise econômica do país acaba por dificultar. Aprovada em 2019, a reforma traz regras mais duras que fará com os brasileiros se aposentem com um valor baixo, isso ainda se conseguirem, pois diante da crise econômica que perpassa pelo país e do cenário com alto número de pessoas desempregadas no momento, e que portanto não estão contribuindo com a previdência, fará com que a aposentadoria da geração atual, caso aconteça, ocorra em um momento tardio. Portanto, se não houver luta pela revogação de reformas que deturpam nossos direitos, e por melhores condições de vida, a realidade futura não será tão esperançosa.

3 -) Há um engajamento, uma convivência intergeracional entre os mais novos e os idosos?

Na verdade, não. Tirando aqueles que já vivem diretamente com os avós, o jovem da atualidade tem se preocupado mais com outras questões ao seu entorno do que com o convívio com os mais velhos. A juventude pobre, por exemplo, ou já está trabalhando para comprar suas coisas e/ou contribuir com a família ou procurando se capacitar para ingressar no mercado de trabalho. De modo geral, as redes sociais e as atividades sociais com amigos e em festas, os têm ocupado também. O mundo se modernizou muito rápido dentre as ultimas décadas, o que dificulta a compreensão dos mais velhos para muitas coisa, já o jovem que cresceu diante das tecnologias e dos novos temas desse século tem facilidade para aprender e se adaptar, mas não tem tempo, nem paciência para ensinar, o que gera um choque e um distanciamento. 


4 -) Tendo em vista o cenário atual, há uma piora no quadro das violações do estatuto?

Sim, devido ao isolamento social, a maior parte dos idosos estão em casa, e infelizmente esse é o principal ambiente onde eles vêm sofrendo violências, que não se limita só a física, é muito comum sofrerem a psicológica e por negligência também. O levantamento do Disque 100 aponta que neste ano, só de março até maio, houve um aumento de mais de 500% de denúncias,  o número é expressivo e importante, ao mesmo tempo que preocupante, é um período delicado e que muitos idosos estão em situação de risco.

5 -) Tendo em vista o envelhecimento da população atual, a adoção de idosos poderia se tornar uma realidade em um futuro próximo? Estaria a sociedade preparada para essa adoção? Seria necessário um supervisor todos os meses estar visitando as famílias que adotaram idosos no objetivo de impedir violações?

Bom, há Projetos de Lei voltados a esse tema no Congresso Nacional, é boa a inciativa, mas acredito que haveria pouquíssima adesão. Quanto mais velha uma criança é, mais difícil dela ser adotada, acredito que por conta da vivencia e do comportamento já desenvolvido, as pessoas preferem escolher uma no qual poderão “moldar” e ensinar como se portar conforme o que aquela família acredita ser o certo ou adequado, e por esse mesmo motivo, acredito que a adoção de idosos teriam a mesma dificuldade, aliás, até maior. O idoso traria consigo toda uma bagagem de vida, comportamentos enraizados, problemas de saúdes mais agravados, o que aumentariam a possibilidade de rejeição do ato de adotar, mas não impossível. A adoção de menores no Brasil segue questões burocráticas e de fiscalização altamente rigorosas, para os idosos deve se seguir os mesmos critérios e controle.  

6 -) O que poderíamos fazer para impedir violações e divulgar os Direitos dos idosos?

Como professor e cidadão, eu sempre digo que a melhor forma de se combater as violências é educando, a escola é um espaço propício para se conscientizar desde pequeno, que devemos cuidar, proteger e respeitar os idosos. Mas não só, os governos desde federal até os municipais devem se engajar na prevenção das violações dos direitos dos idosos por meios de campanhas, em redes de comunicação, postos de saúde, e demais órgãos públicos. É importante que toda a sociedade entenda que é obrigação de todos zelar pelos direitos das pessoas de mais idade, primeiro porque o Estatuto nos coloca nessa posição, depois porque em algum momento seremos nós que estaremos na condição de idosos precisando dessa proteção.

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