Entrevista com professora, contadora e advogada Arlete Candido Monteiro








Confira a entrevista com professora, contadora e advogada Arlete Candido Monteiro Vieira que também é professora de nossa turma de Introdução ao Estudo do Direito, e está nos auxiliando nas questões jurídicas da temática "Envelhecer no século XXI", confira: 


1-) Todos podem se aposentar?

Não, nem todos podem se aposentar. Somente se aposenta pelo Sistema Previdenciário – Regime Geral da Previdência Social, aqueles que contribuem para a Previdência Social de acordo com a legislação vigente. Existe a possibilidade dos idosos com hipossuficiência econômica de receber o Benefício da Prestação Continuada (BPC) da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) é a garantia de um salário mínimo mensal ao idoso acima de 65 anos, desde que preenchido o requisito de renda per capita familiar de ¼ do salario mínimo e não receber nenhum tipo de beneficio previdenciário. 


2-) A adoção de idosos no futuro, pode se tornar uma realidade devido ao envelhecimento da população?

Eu considero que não, o envelhecimento da população está atrelado ao desenvolvimento da ciência, qualidade de vida e a escolha das pessoas de terem menos filhos, filhos estes que pela educação que recebem e pela participação na sociedade terão e absorverão a responsabilidade de cuidar de seus idosos. Percebo que as gerações atuais têm maior compromisso de cuidado com os idosos e possivelmente em breve a cultura de cuidar dos idosos estará mais presente nas famílias.


3-) Qual é a importância dos asilos?

Os asilos são importantes porque representam a política pública de acolhimento aos idosos, sendo importante lembrar que o Estatuto do Idosos – lei 10.741 de outubro de 2003, busca preservar dentre outras a dignidade da pessoa idosa e em seu artigo 98º determina: “Abandonar o idoso em hospitais, casas de saúde, entidades de longa permanência, ou congêneres, ou não prover suas necessidades básicas, quando obrigado por lei ou mandado: Pena – detenção de 6 (seis) meses a 3 (três) anos e multa”. Enfim as instituições de longa permanência são necessárias, politicamente corretas, mas não obstam a responsabilidade familiar de cuidar, dar carinho e atenção.


4-) Qual é a importância dos mais novos no processo de envelhecimento?

Aos jovens cabe o respeito e reverencia aos idosos.


5 -) O Brasil está preparado? Ao decorrer dos anos sabemos que o número de idosos irá triplicar, e irá se tornar 36% da população, a previdência irá atender a todos? Qual seria as alternativas?

A sociedade se adapta as mudanças demográficas, as famílias e o Estado O envelhecimento da população brasileira necessita, de imediato, de um diagnóstico de saúde a níveis nacional e regional, que possa conduzir a propostas realistas. As intervenções que daí surgirem, deverão então, ser avaliadas e redirigidas. Há uma necessidade premente de métodos inovadores e imaginativos, que possam contribuir para uma atenção ao idoso, em bases humanísticas e, ao mesmo tempo, compatíveis com a realidade sócio-econômica do país. O objetivo final deve ser sempre a manutenção, na comunidade, do maior número possível de idosos, contribuindo, ativamente, para ela, e mantendo seu grau de autonomia (e dignidade) pelo maior tempo possível. Este debate se impõe, de imediato, para quantos possam estar interessados em Saúde Pública, em nosso país.



Para reflexão:

“Instituições e empregadores devem reexaminar suas políticas de trabalho, e os governos devem reavaliar as prioridades dos seus investimentos sociais. Não se pode permitir que a dignidade humana diminua com o passar do tempo. O envelhecimento não é uma jornada separada. É uma continuação”. 

Fonte:

LAGO, Davi. O futuro do Brasil é o envelhecimento. Disponível em https://veja.abril.com.br/blog/matheus-leitao/o-futuro-do-brasil-e-o-envelhecimento/

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